Lembrei-me do Vô Basílio. Não é o
avô que eu carrego o nome, mas é o avô que conheci... Que me ensinou a
alimentar, encilhar e a montar a cavalo.
Lembro-me do Pirata, Tordilho
manga larga, sei lá, mas nervoso, pois abria a torneira do tanque com os dentes
para beber água. Elemento que vai deixar de existir, principalmente no Paraná que vendeu o maior estuário de água doce.
Pirata foi meu companheiro a
desfilar no 20 de setembro.
Eu, pilchado,orgulhoso a desfilar
na Av. Bento Gonçalves... Mas no caminho, tiveram uma péssima ideia: Homenagear
a estátua do Gaúcho na Duque de Caxias, próximo aonde morávamos.
Pirata, que vinha tão obediente e
eu sem espora, por conselho do sábio Basílio, resolveu ir pra casa.
Ali, acabou meu desfile.
A mãe de Pirata se chamava
Minerva, uma égua linda, que um dia resolveu fugir pelo banhado.
Vô Basílio, que me chamava de “VAN”
– num tom forte e responsável – me levou a procurá-la.
Minerva pastava a beira do canal
São Gonçalo.
O Vô foi pela frente, tentando
enlaçá-la e eu, inexperiente, fui para trás.
Ela jogou-me um coice, com as
duas patas, eu o abracei como um goleiro de futebol percebendo uma bola
perdida.
Das inúmeras vezes que vi
Basílio, essa foi das piores situações a resolver.
Mandou-me montar a pelo, segurar
a focinheira que ele tinha feito com corda de couro, e dando-me uma vara de marmeleiro que preparou na
hora, me disse :
- Ela era pra ter sido domada,
mas tu vai fazer isso agora!
Sem saber direito, segurei meus
calcanhares em suas ancas e segurando a crina e a corda da focinheira, galopei
pelo banhado, fazendo com que entendesse que não poderia mais fugir.
Essa história, carrego na vida:
Administrar os meus direitos e minhas preocupações.
Que Pirata e Minerva e
principalmente Basílio Carvalho nunca saiam da minha vida, mostrando a dureza e
a simplicidade de viver.

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