sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

AO VELHO BASÍLIO, MEU GRANDE AVÔ, O QUAL ESTIVE COM ELE À BEIRA DA MORTE



Lembrei-me do Vô Basílio. Não é o avô que eu carrego o nome, mas é o avô que conheci... Que me ensinou a alimentar, encilhar e a montar a cavalo.
Lembro-me do Pirata, Tordilho manga larga, sei lá, mas nervoso, pois abria a torneira do tanque com os dentes para beber água. Elemento que vai deixar de existir, principalmente no Paraná que vendeu o maior estuário de água doce.
Pirata foi meu companheiro a desfilar no 20 de setembro.
Eu, pilchado,orgulhoso a desfilar na Av. Bento Gonçalves... Mas no caminho, tiveram uma péssima ideia: Homenagear a estátua do Gaúcho na Duque de Caxias, próximo aonde morávamos.
Pirata, que vinha tão obediente e eu sem espora, por conselho do sábio Basílio, resolveu ir pra casa.
Ali, acabou meu desfile.
A mãe de Pirata se chamava Minerva, uma égua linda, que um dia resolveu fugir pelo banhado.
Vô Basílio, que me chamava de “VAN” – num tom forte e responsável – me levou a procurá-la.
Minerva pastava a beira do canal São Gonçalo.
O Vô foi pela frente, tentando enlaçá-la e eu, inexperiente, fui para trás.
Ela jogou-me um coice, com as duas patas, eu o abracei como um goleiro de futebol percebendo uma bola perdida.
Das inúmeras vezes que vi Basílio, essa foi das piores situações a resolver.
Mandou-me montar a pelo, segurar a focinheira que ele tinha feito com corda de couro, e dando-me uma vara de marmeleiro que preparou na hora, me disse :
- Ela era pra ter sido domada, mas tu vai fazer isso agora!
Sem saber direito, segurei meus calcanhares em suas ancas e segurando a crina e a corda da focinheira, galopei pelo banhado, fazendo com que entendesse que não poderia mais fugir.
Essa história, carrego na vida: Administrar os meus direitos e minhas preocupações.
Que Pirata e Minerva e principalmente Basílio Carvalho nunca saiam da minha vida, mostrando a dureza e a simplicidade de viver.


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